Tendências dos Investimentos da China no Brasil

NOTÍCIA – Nos últimos 15 anos, a China, além de se tornar o maior parceiro comercial do Brasil, consolidou-se como um dos seus principais investidores. Entre 2007 e 2020, segundo o relatório "Investimentos Chineses no Brasil – Histórico, Tendências e Desafios Globais (2007-2020)", de autoria de Tulio Cariello e publicado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), os aportes chineses em 176 empreendimentos no Brasil totalizaram US$ 66,1 bilhões, sendo 48% destinados à energia elétrica. O crescimento da exportação de commodities favoreceu ainda investimentos em petróleo e gás (28%), extração de minerais metálicos (7%), indústria manufatureira (6%), infraestrutura (5%) e agropecuária (3%). São Paulo destacou-se com 31% dos projetos confirmados, mas há projetos em 23 unidades da Federação, e, em 2019, o Nordeste chegou a atrair o maior número de projetos. Com o choque pandêmico, os investimentos chineses caíram 74% em 2020, ficando em US$ 1,9 bilhão. Em contrapartida, o comércio bilateral atingiu o recorde de US$ 102 bilhões, e, em 2019, o valor dos investimentos cresceu 117%, somando US$ 7,3 bilhões. Fonte: Estadão.

 

COMENTÁRIO – Desde 2007, pondera o CEBC, “houve mudanças no perfil de empreendimentos que atraíram o interesse de empresas chinesas e oscilações no valor dos investimentos em razão de políticas domésticas adotadas por Pequim ou de turbulências no cenário internacional”. Apesar dessas oscilações, da retórica anti-China do atual governo e da contração na pandemia, os dados, segundo Cariello, revelam mais continuidade que ruptura. As relações econômicas entre Brasil e China provaram-se resilientes à belicosidade ideológica do governo atual, mas esse hiato no bom histórico diplomático sino-brasileiro torna mais, não menos, importante o engajamento de outros setores da sociedade, como o empresariado, a academia e o terceiro setor, na construção de pontes em áreas como cultura e pesquisa. Além dos seus benefícios intrínsecos, elas fomentarão mais fluidez no diálogo com os investidores. Fonte: Idem.