"Governo Deveria Dialogar Mais com a China no Âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota", diz Evandro Carvalho

NOTÍCIA - Dados do Banco Central do Brasil mostram que, no primeiro semestre de 2020, os Estados Unidos elevaram em quase 38% o volume de investimento direto no país, para US$ 3,4 bilhões. Por sua vez, a China, que, em termos de fluxo, não aparece entre os maiores investidores, ampliou seu movimento de US$ 37 milhões para uS$ 80 milhões na mesma comparação. De qualquer forma, segundo uma fonte do governo, os números da China são baixos porque boa parte dos recursos chineses entraria por meio de estruturas de investimentos em outros locais, como a Holanda. Não há dados de fluxo por controlador final do grupo responsável pelo investimento, pois o Banco Central segue os padrões do Fundo Monetário Internacional para produzir as estatísticas bilaterais de investimento direto, o que implica utilizar o país imediato de origem. Apesar disso, pelo estoque, o número mais recente, de 2018, comprova que a China estava bem colocada, tendo o quinto maior estoque de investimento estrangeiro direto no Brasil, com US$ 21 bilhões, ainda que distante dos US$ 118 bilhões dos Estados Unidos. Fonte: Valor Econômico.

 

COMENTÁRIO - Para Dawisson Belém Lopes, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), "os Estados Unidos têm uma tradição histórica de liderar esse tipo de interação com a economia brasileira, sempre investiram montantes consideráveis e continuam na liderança nesse quesito." Em relação à China, ele menciona que seus investimentos estão aquém do esperado em relação à presença do gigante asiático no comércio bilateral com o Brasil, e isso teria a ver com o fato de o Brasil não integrar a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), principal plataforma de investimento chinês à qual o Brasil não aderiu, deixando, assim, de ser destinatário preferencial dos investimentos diretos chineses em infraestrutura. Nesse sentido, Evandro Menezes de Carvalho, professor da FGV Direito Rio e coordenador de seu Núcleo de Estudos Brasil-China, afirma que o governo deveria dialogar mais com a China no âmbito da BRI, tendo em vista o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) local, e lembra que "a iniciativa já promoveu US$ 110 bilhões de investimentos no mundo. A gente tem o PPI aqui. Dialogar não significa aderir." Ademais, ele aponta que a mudança de governo no Brasil diminuiu o apetite do investidor chinês, tendo em vista os ruídos diplomáticos com a ala mais radical do governo e as incertezas sobre como seria a relação sino-brasileira. Lembra, ainda, que o país tem demonstrado certa resistência em fazer parte da BRI, promovido um discurso não muito amigável ao seu maior parceiro comercial e buscado maior alinhamento com os Estados Unidos. Fonte: Idem.