China Cita Investimentos e diz Esperar Estabilidade do Brasil

NOTÍCIA – O governo da China espera estabilidade no Brasil do governo Bolsonaro, lembrando que tem mais de US$ 80 bilhões investidos no país. "Como amigos do Brasil, esperamos que o país mantenha a estabilidade e o contínuo desenvolvimento", afirmou Qu Yuhui, Ministro-Conselheiro e porta-voz da Embaixada do país asiático em Brasília. Ele disse, ainda, que "não cabe a nós comentar os assuntos internos do Brasil", porém salientou que "a China é um dos principais investidores no Brasil, com um volume de aportes em rápida ascensão" de US$ 80 bilhões e "40 mil empregos diretos". O Ministro-Conselheiro Qu foi bem mais incisivo ao comentar um exemplo clássico da atitude bolsonarista ante a China, de forma indireta, que se deu na semana retrasada. Um dos filhos do ex-presidente americano Donald Trump acusou Pequim de buscar influenciar o resultado da eleição presidencial brasileira de 2022, para a instalação de um "governo socialista o qual possam manipular" —eufemismo para PT, no caso. Donald Trump Jr. falou virtualmente em evento da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), organizada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho presidencial mais próximo dos trumpistas. "São fantasias absurdas, totalmente descoladas da realidade, às quais manifestamos veemente objeção", retrucou Qu, que adicionou que "instamos as personalidades norte-americanas a cessar suas manobras políticas para distorcer os fatos e fabricar mentiras contra a China". Fonte: Folha de São Paulo.
COMENTÁRIO – O governo Bolsonaro tem uma relação ciclotímica com seu maior parceiro comercial. Ideologicamente, a base bolsonarista adota um discurso anticomunista, e há uma coleção de episódios nos quais o presidente, ministros ou algum de seus filhos buscaram criticar o governo de Pequim. Quase sempre, como é padrão do grupo, ataques vinham seguidos de recuos e tentativas de pedidos de desculpa. No dia 9 de setembro de 2021, durante reunião da cúpula dos BRICS, por exemplo, Bolsonaro adotou um tom cordial e cooperativo durante a videoconferência com os demais líderes do grupamento. "Esperamos que o governo brasileiro continue a proporcionar às empresas chinesas, aí incluída a Huawei, um ambiente de negócios imparcial, aberto, transparente e livre de discriminação", afirmou Qu. Fonte: Idem.
