'A Caminho da Lua' é Arma da Netflix para Desbancar Império Animado da Disney

NOTÍCIA - No dia 23 de outubro de 2020, a Netflix lançou, no Brasil, a animação musical "A Caminho da Lua", co-produzida com o chinês Pearl Studio. O filme conta a história de Fei Fei, uma garota que perde sua mãe e, em meio ao seu processo de luto ao longo dos anos, descobre que seu pai se pretende casar novamente. Com isso, ela cria um foguete para viajar e encontrar Chang'e, a deusa chinesa da Lua, na esperança de provar que a lenda sobre o amor eterno da deusa é verdadeira e inspirar seu pai a continuar viúvo. Segundo Reed Hastings, um dos fundadores e CEOs da Netflix, "nós queremos superar a Disney nas animações para a família". Para além de adotar fórmula semelhante, inclusive no quesito musical, que conta com o hit "Vou Voar", a produção conta com a estreia do ex-animador da Disney Glen Keane, que, após quatro décadas, decidiu mudar de time e afirmou: "Quando eu saí da Disney, eu saí com a vontade de viver criativamente sem barreiras. Existem animadores em tantos países querendo compartilhar sua cultura, que eu acho que esse gênero não devia se resumir a um grupo de pessoas em Hollywood. 'A Caminho da Lua' não é uma visão ocidental da China; é uma trama contada a partir de Shanghai". Fonte: Folha de São Paulo.

 

COMENTÁRIO - De fato, a animação seguiu uma das principais estratégias da Netflix ao firmar parceria com o Pearl Studio: a partir de acordos com produtoras locais, ela consegue fornecer um volume arrebatador de conteúdo, conquistando mercados regionais e expandindo-se. "A Caminho da Lua" possui várias referências interessantes não só à lenda que norteia sua história principal, mas também à cultura chinesa, à arquitetura do país, às relações familiares e ao seu desenvolvimento, tendo, até mesmo, uma cena com menção à construção de trens com levitação magnética no país. A afirmação de Keane de que o filme não é uma visão ocidental da China, e sim uma trama contada a partir de Shanghai é extrememante relevante, não só porque evita erros e estereótipos na produção, como ocorreu com "Mulan" (2020), mas também porque aponta para o futuro da produção cinematográfica chinesa. Trata-se de um setor em franca expansão e com muito potencial, inclusive, na formulação de acordos com parceiros internacionais. Ademais, é um mecanismo que favorece o fortalecimento do soft power chinês e uma maior compreensão da cultura do país. Nesse contexto, o Brasil poderia promover acordos e maiores trocas culturais com a China no setor, numa busca de maior intercâmbio cultural e compreensão mútua.