Açaí: O Agro Pop da Floresta Amazônica Chega à China

NOTÍCIA - O açaí, fruta nativa da Amazônia, já foi batizada de "super comida" por conta de seus valores nutricionais, e, com uma produção livre de desmatamento, é frequentemente apontado como um dos caminhores mais promissores para o desenvolvimento sustentável da região. Em contrapartida, há, ainda, um longo caminho a ser desbravado por seus produtores. Sem os investimentos necessários, a produção nacional mal atende à demanda interna, quiçá à internacional - 99% do açaí produzido no Brasil, o que, em 2019, significou 1,4 milhão de toneladas, é consumido domesticamente. Ainda assim, nos últimos quatro anos, os produtores têm-se esforçado para introduzir o gosto pelo açaí na China. Um exemplo disso é a abertura, em 2020, de uma loja da OakBerry Açaí Bowls em Shanghai. Vale mencionar que a companhia ainda planeja distribuir o produto pronto em supermercados e abrir mais quatro lojas até 2021, incluindo em Beijing e em Hong Kong. Fonte: Diálogo Chino.
COMENTÁRIO - Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de toda a produção brasileira de açaí, menos de 1% foi exportada. De fato, para além dos desafios inerentes à entrada do produto no maior mercado consumidor do mundo, há as dificuldades relacionadas à colheita e à produção, que permanece praticamente artesanal e, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), provém do manejo de áreas nativas realizado por ribeirinhos ao longo da bacia amazônica, bem como os desafios associados ao transporte e à infraestrutura em geral. Segundo o professor da Embrapa José Urano de Carvalho, para dobrar a produção de açaí, bastariam 100 mil hectares em áreas de terra firme, uma área ínfima se comparada àquela ocupada pela soja no Pará, 500 mil hectares, sendo que o açaí, ainda por cima, é indicado para a recuperação de áreas de pastagem degradadas. Além disso, os investimentos no açaí fortaleceriam comunidades extrativistas e poderiam gerar diversos produtos oriundos da fruta, e seu cultivo é até 20 vezes mais rentável que a produção de carne e de soja na Amazônia. Por sua vez, especialmente na área de infraestrutura e de logística, o Brasil poderia contar com investimentos chineses no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota. Trata-se de um campo que guarda enorme potencial para o comércio bilateral sino-brasileiro.
