Autores: 

Evandro M. de Carvalho, Daniel Veras e Pedro Steenhagen

O Núcleo de Estudos Brasil-China da FGV Direito Rio surgiu em outubro de 2017 para desenvolver pesquisas e estudos sobre as relações sino-brasileiras, contribuindo para o desenvolvimento das relações bilaterais, especialmente nos âmbitos acadêmico e jurídico. Em 2020, dando sequência ao aprofundamento de seus trabalhos, lançou o Projeto Belt and Road & Brazil (BR&Br), em referência à Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), forma abreviada para referir-se ao Cinturão Econômico da Rota da Seda e à Rota da Seda Marítima do Século XXI propostos por Xi Jinping em 2013.

 

O projeto visa a produzir e a divulgar publicações sobre a iniciativa e sobre as relações sino-brasileiras, bem como a desenvolver pesquisas e estudos sobre as formas de conexão da Cinturão e Rota com o Brasil e com a América Latina. Diante desse contexto, o Núcleo publica seu primeiro relatório, que faz breves comentários sobre os impactos da pandemia da Covid-19 no contexto particular da nova Rota da Seda e no contexto global, bem como sobre as transformações que daí decorrem. A BRI da Saúde e a BRI Digital são algumas das faces das rearticulações ensejadas pela nova realidade.

 

Saúde e tecnologia digital, como condições para a retomada das atividades regulares, acabam por receber atenção, e os impactos disso são tão profundos que chegam até a reverberar na política – por exemplo, no desenvolvimento da diplomacia na nuvem, encurtando as maiores distâncias e agilizando intercâmbios culturais. Outro exemplo é a relação entre a China e os países da América Latina, que são geograficamente antípodas no globo, mas que estão agora a uma videoconferência de distância. Do ponto de vista de equipamentos médicos, a infraestrutura física fomentada pela BRI se presta ao propósito de fazer chegar todos os insumos às mais longínquas paragens.

 

Mesmo que não diretamente atrelados à BRI, o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), este último também chamado banco dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), contribuem para a iniciativa e apresentam oportunidades concretas para a inserção internacional do Brasil. Por fim, o relatório traz reflexões mais amplas a respeito da cooperação internacional e da importância do multilateralismo na resolução de problemas comuns. Em um contexto global em que as instâncias multilaterais estão sendo desacreditadas, questionadas e desafiadas, a BRI continua-se oferecendo como instrumento multilateral e apresentando suas vantagens, que podem interessar – e muito – ao Brasil.